sábado, 26 de dezembro de 2015

Zero VS Ranned

Zero aterrou no cimo de um dos prédios. As chamas dançavam por entre cortinas densas de fumo destruindo as dezenas de edifícios milenários de Marble Bridge.
- Few… Isto está muito pior que pensava… - tirou o casaco e limpou a testa húmida. Bi-bip! – Sim Roger? Cheguei. Consegues-me ouvir?
Bi-bip!
-Tudo ok Zero!
- Eheh… quando disseste que havia “um incêndio” na cidade, não mencionaste que mais de três quartos da cidade estavam em cinzas! – disse enquanto tirava macacos negros do seu nariz.
- É… o gajo está em chamas, literalmente! Queres que te envie as coordenadas?
- Neh, podes ir tomar o teu café, já o tenho debaixo de olho. Vemo-nos no quartel! – bi-bip!
- Vê lá se te queimas princesinha!- bi-bip.
As suas botas mecânicas desdobraram-se num jato flamejante que o dispararam para os ares até a uma praça, onde se alapava um homem magro de cabelo comprido e oleoso, vestido de trapos pintados a carvão.
- Já passou a birrinha? – perguntou Zero tirando um charuto do bolso. O homem levantou-se lentamente. – Estão helicópteros a chegar, quer seguir-me calmamente com estas algemas postas ou prefere ir inconsciente?
Virou a cabeça para trás mantendo o corpo imóvel. Seis dentes dourados cintilavam num sorriso mórbido e enrugado.
- Eh…eh…eh…s-sai…
- Senhor, acabou de provocar o maior massacre da década… não aconselhava muito aumentar ainda mais a sua senten…
- Saaaaaaaai!! – gritou de forma animalesca enquanto as peles das costas rasgavam e as suas vértebras estremeciam violentamente. Quatro canhões massudos e oxidados saíram engatados às suas costelas.
- Ah boa! Estava mesmo a precisar de um isqueiro!
-Silêncio!! – guinchou de pescoço irrigado de veias carnudas, disparando uma tempestade de chamas.
Zero desapareceu de forma quase fantasmagórica. Estava agora atrás dele, encostado a uma parede aspirando a primeira nuvem do seu charuto.
- Uau! Mais um centímetro e era completamente vaporizado! Mas tinha mesmo que o acender.
- Hein? Como?!
- Não sou de perder muito tempo – expirou – puxas uma?
O homem rangeu os dentes.
- Cabrão… - sussurrou – Gaaaaaaah!! – As suas peles ondulavam por todo o seu corpo enquanto a sua maxilar se desagarrava da face e outro canhão lhe saia da boca como uma borboleta a sair de um casulo.
- Minha nossa… - disse Zero arrepiado.
Este era prateado com cupidos demoníacos gravados. Brilhava como se nunca tivesse sido usado antes. Pregou as suas unhas ao chão, que começou a tremer violentamente fazendo saltar blocos pedra e estilhaçar todos os vidros que se encontravam nas redondezas. As pupilas de Zero dilataram. Este ia ser grande. Fisgou-se para o meio dos ares num salto elástico e extenso. Uma muralha de labaredas maciças varreu tudo na sua passagem.
- Mas que abominação é esta?!... – pensou ainda em queda livre – Bom, vamos ter que tomar medidas…
Fios de luz azul serpenteavam pelos interstícios das suas luvas de titânio num som robótico e agudo.
- Estiramento espacial: Trampolim cinético! - murmurou de mãos esticadas atrás das costas. O espaço distorceu-se rapidamente num círculo de imagens contorcidas, lembrando um trampolim, que num ressalto propulsionou Zero a uma velocidade estonteante. Voava como um míssil de punho bem cerrado – Já foste cabeça de lata!
O murro caiu como um meteorito, deixando uma cratera funda e quente.
Cluck! Zero estalou o ombro enquanto se levantava do chão. Não é possível! Ele desviou-se! O homem estava ali, a uns metros dele.
- Eheheh! Como ousas subestimar o meu poder? Hein?!
Zero apenas olhava para o chão, imóvel, de olhos escondidos atrás da franja despenteada.
- Então? Já desististe? É tudo o que tens?! Não tens hipótese! Gahahahah!!
- O… o meu charuto…
- Hein?
- ESTRAGASTE O MEU CHARUTO!! – gritou estridentemente de olhos negros de ódio.
O homem congelou. O seu plano maléfico, a sua vingança contra o seu país… o seu objetivo de vida! Tudo isso se transformara numa discussão de café.
Zero desapareceu numa fração de segundo.
- Merda… onde é que ele está?? Que demónio é este?!
Carimbou-lhe um murro na barriga. Um repuxo de sangue saiu-lhe por entre os dentes.
- Era um clássico…
Uma joelhada no queixo.
- Dr. Fulrick…
Pegou-lhe pela gola da camisola.
- 1880!!
Atirou-o para o chão.
Caído, pensava na sua vida. Não sentia o corpo. Apenas sentia o sangue quente a correr-lhe pelas queixadas abaixo. Via o céu castanho e as nuvens negras. Via as cinzas a cair. Via a sua vida arruinada. Estava a morrer. Mas o seu plano continuava mais vivo do que nunca! Ainda podia fazer alguma coisa.
- Posso não ter ganho esta batalha… - tossiu – mas isto ainda pode ser… um empate… - Zero nem se mexeu. – MORRE!! – cuspiu uma granada dourada para os ares. – Testemunharás o verdadeiro inferno! Gahahahah!
As luvas de Zero brilharam de novo – Estiramento espacial: Cúpula repelente! – Uma esfera transparente envolveu-o.
A granada detonou. Um tufão de fogo dominou a cidade inteira, transformando pedra em lava a quilómetros de distância. Era como se Zero estivesse no interior do sol. A cúpula manteve-se intacta. Zero aproximou-se lentamente do homem.
- Eh?! Como é que consegues? Porque é que me estás a proteger a mim também?!
- Não te estou a proteger idiota – disse num tom firme – apenas quero que morras pelas minhas mãos.
- Não! Espera! Eu…!
Zero pôs-lhe a mão à cara e levantou-o sem esforço. – Manipulação-tempo: Acelerador! – A face do homem envelheceu drasticamente, agora de olhos encovados, barba comprida e cabelo branco. Ligou o jato da sua luva metálica para um último murro. Em cheio no queixo… fiiiiiu a sua cabeça saltou como a rolha de uma garrafa de champanhe, saíndo da cúpula e desintegrando-se nas chamas. Tsss.
A explosão terminou. A carcaça decapitada jazia no chão. Zero estava pronto para chamar Roger de novo mas…
- Hein? O que é isto? – Olhou para o bolso das calças do homem. - … Dr. Fulrick? 1878! Golden Edition!! Perfeito!
Tirou um charuto da caixa e começou a fumar. Olhou para o céu.
- Ainda bem que não te deixei nas chamas! – sorriu.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Mr. Mime - Episódio 05: O cemitério


As chamas instalaram-se no quarto dançando por todos os cantos até engolirem a minha mãe numa dentada feroz e a transformarem instantaneamente num tufão de cinzas ardentes. O fumo invadiu rapidamente o quarto impedindo-me de respirar ou de ver qualquer coisa… as cinzas eram densas e pareciam estar a empurrar-me para fora do quarto… Eu e Lampent fomos expulsos como se as chamas não quisessem ser incomodadas enquanto devoravam algumas carcaças que tivessem sobrado da inceneração. A porta fechou-se num estrondo. Era como se tivesse estado no inferno por uns segundos. Voltar a abrir aquela porta deixou de ser uma das minhas intenções, tinha a enorme sensação de que não ia sair de lá vivo se o fizesse.
Corri diretamente para fora de casa sem saber ao certo para onde ir. Tinha que encontrar a minha irmã… Lillipup rapidamente sentiu um cheiro e correu em direção ao cemitério perto de minha casa. Segui-o enquanto Lampent me iluminava o caminho. Cheguei ao cemitério, mergulhado em brumas brancas e frias. Via uma silhueta perto da campa do meu pai. Sentia esperança, estava completamente convencido que era ela, o que despertou em mim alguma alegria. Corri ainda mais depressa e a silhueta desapareceu. Aproximava-me cada vez mais da campa do meu pai… até que por fim cheguei. As brumas já não escondiam nada, pior, mostraram-me aquilo que não queria ver. A minha irmã não estava lá e por alguma razão estava uma cova grande e escura diante a sepultura dele. Olhei à minha volta e depois para dentro da cova para ver se o meu pai tinha sido realmente desenterrado. Senti dois braços a abraçarem-me atrás de mim… os braços estavam demasiado altos para ser a minha irmã… paralisei… Uma das mãos deslizava lentamente pela minha barriga e enfiou-se para dentro dos meus boxer… Um bafo quente humidificou-me a bochecha esquerda num riso baixinho... Tirei o meu martelo do bolso… Cinco segundos depois, Mr. Mime estava no chão com metade da face partida… Sangrava da boca e notavam-se estilhaços de osso debaixo da sua pele a nadarem pelos hematomas violeta. O seu sorriso provocador colapsou numa cara de ódio e nojo. Usou o psíquico1 nele próprio para pôr os ossos da cara no sítio e usou o recover2 para se curar (devia ter copiado esse ataque de outro pokemon com o mimic3 uma vez que os mr. mime não podem aprender o recover). A cratera que lhe tinha pregado na cara transformou-se novamente numa bochecha corada e rechonchuda. Chamei o Lillipup e o Lampent para me defender, mas Mr. Mime projetou-me instantaneamente para dentro da cova, usando novamente o psíquico. Tinha batido com as costas diretamente no fundo do buraco, e por isso passei uns segundos sem conseguir respirar. Reparei que não estava nenhum caixão dentro do buraco. Achei uma desonra para o meu pai, e enervei-me, tinha sido ele a retirá-lo de lá, tinha a certeza. Tentei trepar mas não consegui. De repente algo caiu-me em cima, mas não sabia o que era. Era bastante pesado e cheirava mal… tentei tirar essa coisa de cima de mim, e senti madeixas de cabelos longos a serpentearem pela minha cara… Era a minha vizinha… Sem olhos e toda suja de terra. Tinha a barriga aberta, e órgãos a baloiçarem até aos joelhos. Repugnado mandei o cadáver ao chão, assustando uma colónia de insetos que hospedava o crânio vazio. Pedi ajuda ao Lampent para que me retirasse do buraco usando também o seu ataque psíquico… mas nada aconteceu, apenas ouvia o Lillipup a rosnar e o Mr. Mime a rir às gargalhadas, enquanto quilos de terra choviam e me enterravam vivo…

1 Ataque telecinético usado para por exemplo levitar ou deformar objetos, pessoas ou pokemon.
2 Capacidade utilizada por pokemon para se autorregenerarem

3 Capacidade utilizada para imitar ataques de outros pokemon.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Mr. Mime - Episódio 04: A chama

Mesas e cadeiras voavam das minhas mãos contra a parede a toda a velocidade… janelas e espelhos quebravam-se por entre os meus dedos em socos rígidos… móveis desmontavam-se no chão em quedas estrondosas… a minha fúria tomou conta da casa por longos minutos. A minha raiva desfazia-se em lágrimas ardentes enquanto gritava e pombeava veias salientes por entre os músculos do pescoço. Cansei, o meu coração parecia ter parado de bater, e tombei estendido para cima dos estilhaços de vidro. Ainda tremia, e as lágrimas não paravam de correr. Estava exausto, mas não podia fechar os olhos sem ver aquela imagem… as minhas dores de cabeça multiplicavam a cada segundo que passava, até ao ponto de nem conseguir ver aquela imagem…e adormeci.
Acordei alguns minutos depois, não dormi muito, não cheguei a adormecer a cem por cento, mas deu para atenuar um bocado as dores de cabeça… antes de abrir os olhos na totalidade ainda esperava que fosse tudo só um pesadelo, mas tudo parecia ainda mais real que antes. A energia esgotou, tanto que já nem dava para estar nervoso ou furioso… apenas estava deprimido. Levantei-me calmamente… tinha as mãos todas cortadas de ter partido as janelas e espelhos de minha casa, e estava com tonturas. Lágrimas ainda caiam de vez em quando… Caminhei em passos leves e lentos para fora de minha casa. Estava frio e escuro, mas isso não foi um problema, uma vez que já não sentia nada. Fui em direção ao rio perto de minha casa, pus-me de joelhos e olhei para o meu reflexo na água… chorei mais uma vez.
De repente, o meu bolso começou a vibrar cada vez mais depressa até uma explosão de luz ter cegado os meus olhos por uns segundos. Era lillipup… de alguma forma sentiu que eu não estava bem e conseguiu sair da pokebola por si mesmo. Foi ter comigo ganindo, os seus olhos brilhavam ao luar. Encostou o seu focinho frio e húmido à minha face e lambeu-me. O seu pelo macio e quentinho aconchegava-me e acalmava-me. A sua doçura iluminou-me o espírito e deu-me forças para conseguir no mínimo parar de chorar e não estar tão deprimido. Passei as mãos no rio gelado e em duas ou três bofetadas de água lavei a cara. A minha dor parecia-se ter dissolvido na água, passando agora a deslizar por entre as pedras redondas afundadas. A água estabilizou, e em vez de refletir a minha cara, refletia a cara do meu pai… estava finalmente parecido com ele…um sorriso curvou-se na minha cara. Tinha-me tornado… num homem. Percebi que chorar não ia resolver nada e que devia erguer-me e enfrentar os problemas… Respirei fundo, fechei os punhos e voltei para casa. Estava de mente fria e resistente e os meus olhos estavam cheios de nada… Cheguei ao quarto da minha mãe de novo… Abri a porta sem medo. Olhei para ela… estava a usar o seu pijama favorito… aquele com os skiddos1… fechei os olhos, pus a mão no bolso… tirei a pokebola do lampent e atirei-a ao chão. Lampent foi cuspido pela pokebola iluminando o quarto todo.
Olhei para corpo da minha mãe uma última vez… “Lampent, flamethrower2…’’.            

1 Ver pokemon no Google Imagens

2 “Lança Chamas”- Ataque usado por principalmente pokemon de tipo fogo para lançar chamas num determinado alvo.

Mr. Mime - Episódio 03: O pesadelo

Estava a lavar a louça com a minha mãe… A cozinha parecia mais escura que o normal. O ambiente era pesado, não se conseguia respirar muito bem… Os azulejos das paredes estavam baços e a televisão não funcionava, apenas disparava sons agudos que me pareciam perfurar o cérebro pelas orelhas dentro como uma agulha ferrugenta. Ninguém falava… estávamos calados a esfregar os pratos sujos de centopeias esmagadas. O som da televisão ficou cada vez mais agudo… mais centopeias me saiam de dentro das mangas do casaco e a esponja do nada começou a drenar sangue frio como o gelo… paralisei… A minha mãe, que estava ao meu lado, virou-se para mim com toda a naturalidade a perguntar o que se passava… a sua pele estava esverdeada e cheia de veias, e não parecia ter olhos… sorria para mim com todo o agrado. Deu-me uma festinha na face com as suas unhas enormes e frias, era como se me passassem uma forquilha na bochecha… Vomitei. Era o bolo de aniversário da minha irmã, já semi-digerido… Tentáculos saiam de debaixo da saia da minha mãe e pegaram-me com força pelos tornozelos e puxaram-me, limpando o vómito do chão. Os tentáculos largaram-me, e os meus tornozelos estavam pintados de hematomas escuros e dolorosos… levantei-me… estava na Reflection Cave1, sempre escura e confusa. Olhei para um dos espelhos musgosos que jazia nas paredes da caverna, e em vez de ver o meu reflexo… via um Mr. Mime a sorrir… Morri. Acordei.
Era só um pesadelo, o meu coração batia a toda a velocidade, e suores frios saiam por todos os poros do meu corpo. Tinha os boxers mijados e tremia como um snorunt2. Acordei o lillipup e fui buscar a pokebola do meu lampent3 (o meu único pokemon). Ainda horrorizado fui a correr em direção ao quarto da minha irmã. Tinha a face encharcada em lágrimas e os dentes doíam-me, talvez por os ter rangido durante a noite. Cheguei ao quarto da minha irmã… ela ainda não tinha chegado a casa… Fui direto ao quarto da minha mãe… Do fundo do corredor ouvia-se o som de uma caixinha de música… Não podia mais… sentia-me ainda pior que durante o sonho, parecia estar a sofrer de uma paragem cardíaca… Desta vez não estava a sonhar. Cheguei à porta do quarto da minha mãe, e a música tocava mais forte. O ar não podia estar mais pesado. A minha mão tocou na maçaneta e o tempo parou… parecia estar a demorar uma eternidade para abrir a porta, parecia mais densa do que nunca… a porta chiou num som arrepiante... acabou… Mandei o grito da minha vida… O desespero corria-me nas veias lentamente e alimentava-me o horror entranhado nos músculos e no peito… Lágrimas, baba e ranho escorriam-me pela cara… soluçava a cada segundo que passava… Um varão de metal espetado no chão perfurava-lhe o traseiro e saia-lhe pela boca… e, girava… como se fosse uma bailarina de uma caixa de música… A minha mãe estava…banhada de sangue e sem olhos… estava lívida… As gotas de sangue pareciam cair ao ritmo da música… as paredes rachadas e húmidas não pareciam suportar tanto horror de uma vez. O pesadelo começou...

1 Uma Cave em Kalos
2, 3 Ver pokemon no Google Imagens

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Mr. Mime - Episódio 02: A gota de água

Mas quem era esse Mr. Mime? Bem, eu na altura achava que era apenas um amigo imaginário, nunca a tinha visto com um Mr. Mime no passado, e além disso são raros de encontrar aqui em Geosense Town1…Não liguei muito na altura… Quando estava em casa, Mari passava horas à frente do espelho, olhando para o corpo e chorando desesperadamente. Com o tempo fui-me fartando, mas ao mesmo tempo me preocupando cada vez mais com a minha irmã. Eu já tinha ultrapassado a morte do meu pai, e a minha mãe parecia já estar bastante confortável com a situação. Alguns sorrisos já germinavam de vez em quando durante o dia, e algumas pequenas gargalhadas floriam entre mim e a minha mãe…Mas por outro lado Mari piorava de dia para dia, o que não nos deixava animar mais. O seu aniversário aproximava-se, e por isso decidimos fazer-lhe uma festa surpresa para ver se animava um bocadinho.
Uns dias passaram e chegou finalmente o aniversário da Mari. Convidámos amigos e familiares, fizemos todo o tipo de doces e até arranjámos balões e música, tudo para garantir que ela tivesse pelo menos um dia feliz. Pairavam pelo quintal aromas de todo o tipo de comida, e era um dia maravilhoso. Tudo estava pronto, e esperámos por Mari, que devia ter ido dar uma volta como o costume. Quando chegou, ficou surpreendida. Não parecia muito feliz, estava extremamente nervosa, já não via os convidados havia meses, e voltar a ver cores e felicidade só lhe fez relembrar ainda mais ao seu falecido pai…Enquanto lhe cantavam os parabéns, correu para o interior da casa e fechou-se no quarto a chorar. Os convidados acharam estranho e malcriado da parte dela fazer uma coisa daquelas, até porque nem tinham noção do que se passava na nossa família. Pedi desculpa às pessoas e fui atrás dela… Pedi-lhe que fizesse um esforço para conseguir pelo menos fingir que estava feliz… E assim fez… Tudo correu como previsto, mas Mari não queria comer nada, e chamou mais uma vez a atenção aos convidados durante o jantar. Por fim chegou a sobremesa e as coisas complicaram… A minha vizinha foi quem fez o bolo de aniversário, parecia muito apetitoso, mas também calórico… Era muito bonito, até tinha um desenho do Shaymin2, o pokemon favorito de Mari. Via-se pela aparência que tinha demorado horas a fazer, no entanto, Mari recusou-se a experimentar… A minha vizinha tentou esconder a raiva com um sorriso falso, e voltou a pedir a Mari para que provasse, assim como eu e a minha mãe. A minha irmã começou de novo a chorar desesperadamente como um cubone3, e a minha vizinha comentou… “É o que faz dar demasiado mimo a uma criança só…quem diria que a gorda fosse recusar um bolo destes!”… Os sons harmoniosos da tarde estalaram num silêncio abafador... “Vou…vou dizer ao…Mr. Mime…”, e fugiu de novo para fora de casa. A minha mãe deu a festa por terminada, e pediu desculpa aos convidados vezes sem conta, principalmente à nossa vizinha “…ela tem andado nervosa…peço novamente desculpa…”. Eu estava para ir atrás dela, mas a minha mãe disse para a deixar estar sozinha…”…ela precisa de arrefecer…”.

1 Uma aldeia em Kalos
 2, 3 Ver pokemon no Google Imagens

Mr. Mime - Episódio 01: As lágrimas de Mari

Os seus olhos eram mais lindos que a lua banhada por uma chuva de estrelas. As suas mãos eram suaves como as penas de um swanna1. O seu sorriso fazia-me esquecer que a morte, a guerra e a doença existiam e tornava-me o rapaz mais feliz do Mundo. O seu riso purificava-me a alma. Mari, a minha irmã mais nova, era o meu anjinho, a minha razão de viver, o meu oásis no deserto da vida…Ela era a menina mais feliz de Kalos2. Costumava brincar com os vivillons3 na relva de minha casa, dançando como uma kirlia4 e cantando como um clefairy5. Adorava fazer bolos com a minha mãe e tratar do nosso lillipup6. Parecia uma fadinha que trazia felicidade a todas as pessoas à sua volta. Mas depois, à medida que foi crescendo, a sua luz foi-se apagando e a sua felicidade infinita encerrou-se num poço escuro sem fim…
O meu pai faleceu na guerra contra Hoenn7, e desde aí a minha mãe e Mari nunca mais foram as mesmas… Os jardins murcharam, já não havia lá vivillons como antes. O ambiente de nossa casa foi totalmente abalado por tristeza e melancolia… Mari não queria sair do quarto. Começou a comer muito, era para ela única maneira de se reconfortar. Com o tempo foi ganhando peso, e na escola, os alunos faziam troça dela chamando-lhe de ‘’wailord7’’ ou simplesmente de gorda. Chegava todos os dias da escola a chorar, dizendo-me que queria morrer e que a vida já não tinha sentido para ela. O bullying agravava-se de dia para dia, e Mari isolou-se de toda a gente, perdendo todos os amigos…Continuava a comer, procurando alguma felicidade e conforto, mas em contrapartida só piorava o seu estado. Alguns meses depois, começou a vomitar o que comia procurando perder peso... Os seus dias passaram a ser constantes sucessões de comer e vomitar. As notas dela baixaram abruptamente, já não se conseguia concentrar… Estava sempre a desmaiar por falta de açúcar no sangue e começou a ter pensamentos suicidas. Eu tentava ajudá-la… todos os dias falava com ela, e lembrava-lhe de como as coisas eram antigamente e que tudo se ia resolver, porque como dizem em Kalos… por onde passa Ylveltal8 também tem que passar Xerneas9… na vida a destruição é seguida por uma reconstrução… Mas ela não acreditava, e honestamente…até eu comecei a não acreditar… A partir de um certo ponto, começou a passar a maior parte do tempo fora de casa, mas não dizia para onde ia… Deixou de querer saber de mim e olhava-me com os olhos carregados de ódio.
‘’Vocês não me entendem! Não percebem como estou e o que estou a sentir! Parece que vocês não sentem falta do papá!...Eu não quero amigos e não quero ajuda! Só preciso do Mr. Mime10! Só ele é que me entende…’’


1, 3, 4, 5, 6, 8, 11 (Ver pokemon no Google Imagens).
2, 7 Regiões do Mundo Pokemon.
9 Pokemon que simboliza a destruição na cultura de Kalos (ver no Google Imagens)
10 Pokemon que simboliza a criação na cultura de Kalos (ver
no Google Imagens)

Creepypastas Pokemon: Mr. Mime

Olá leitores! Tudo bem?
Esta é a apresentação da minha primeira série do blogue, "Mr. Mime".
Esta série é uma história de terror, ou se preferirem "creepypasta". Trata-se de uma fanfic de pokemon, no entanto, esta fanfic pode ser lida por qualquer pessoa! Não é uma história apenas dedicada aos fãs do pokemon, pelo facto da história não ser muito centrada nisso. Há por vezes referências a pokemon pelo meio, mas nada de incompreensível. Para quem não conhece algum pokemon, basta escrever o seu respetivo nome no Google Imagens e ver como ele é. Se houver alguma outra referência mais complexa, deixarei uma nota em baixo para lerem e perceberem o que é. Relembro que não recomendo a história a pessoas de idades inferiores a 16 anos, não me responsabilizo por qualquer ''trauma'' ou xixi nas calças.
Relembro também que esta é a minha primeira fanfic, e que por isso não sou muito experiente, por isso estejam à vontade para apontarem os pontos fracos da série para eu melhorar. Garanto que evoluirei com os meus erros e à medida que vou escrevendo. 
Acho que é tudo o que tenho a dizer... até à próxima leitores! Espero que gostem da série! Se gostarem, mostrem aos vossos amigos, isso seria espetacular! Comentem para eu saber que vocês existem e para eu continuar motivado.