sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Mr. Mime - Episódio 05: O cemitério


As chamas instalaram-se no quarto dançando por todos os cantos até engolirem a minha mãe numa dentada feroz e a transformarem instantaneamente num tufão de cinzas ardentes. O fumo invadiu rapidamente o quarto impedindo-me de respirar ou de ver qualquer coisa… as cinzas eram densas e pareciam estar a empurrar-me para fora do quarto… Eu e Lampent fomos expulsos como se as chamas não quisessem ser incomodadas enquanto devoravam algumas carcaças que tivessem sobrado da inceneração. A porta fechou-se num estrondo. Era como se tivesse estado no inferno por uns segundos. Voltar a abrir aquela porta deixou de ser uma das minhas intenções, tinha a enorme sensação de que não ia sair de lá vivo se o fizesse.
Corri diretamente para fora de casa sem saber ao certo para onde ir. Tinha que encontrar a minha irmã… Lillipup rapidamente sentiu um cheiro e correu em direção ao cemitério perto de minha casa. Segui-o enquanto Lampent me iluminava o caminho. Cheguei ao cemitério, mergulhado em brumas brancas e frias. Via uma silhueta perto da campa do meu pai. Sentia esperança, estava completamente convencido que era ela, o que despertou em mim alguma alegria. Corri ainda mais depressa e a silhueta desapareceu. Aproximava-me cada vez mais da campa do meu pai… até que por fim cheguei. As brumas já não escondiam nada, pior, mostraram-me aquilo que não queria ver. A minha irmã não estava lá e por alguma razão estava uma cova grande e escura diante a sepultura dele. Olhei à minha volta e depois para dentro da cova para ver se o meu pai tinha sido realmente desenterrado. Senti dois braços a abraçarem-me atrás de mim… os braços estavam demasiado altos para ser a minha irmã… paralisei… Uma das mãos deslizava lentamente pela minha barriga e enfiou-se para dentro dos meus boxer… Um bafo quente humidificou-me a bochecha esquerda num riso baixinho... Tirei o meu martelo do bolso… Cinco segundos depois, Mr. Mime estava no chão com metade da face partida… Sangrava da boca e notavam-se estilhaços de osso debaixo da sua pele a nadarem pelos hematomas violeta. O seu sorriso provocador colapsou numa cara de ódio e nojo. Usou o psíquico1 nele próprio para pôr os ossos da cara no sítio e usou o recover2 para se curar (devia ter copiado esse ataque de outro pokemon com o mimic3 uma vez que os mr. mime não podem aprender o recover). A cratera que lhe tinha pregado na cara transformou-se novamente numa bochecha corada e rechonchuda. Chamei o Lillipup e o Lampent para me defender, mas Mr. Mime projetou-me instantaneamente para dentro da cova, usando novamente o psíquico. Tinha batido com as costas diretamente no fundo do buraco, e por isso passei uns segundos sem conseguir respirar. Reparei que não estava nenhum caixão dentro do buraco. Achei uma desonra para o meu pai, e enervei-me, tinha sido ele a retirá-lo de lá, tinha a certeza. Tentei trepar mas não consegui. De repente algo caiu-me em cima, mas não sabia o que era. Era bastante pesado e cheirava mal… tentei tirar essa coisa de cima de mim, e senti madeixas de cabelos longos a serpentearem pela minha cara… Era a minha vizinha… Sem olhos e toda suja de terra. Tinha a barriga aberta, e órgãos a baloiçarem até aos joelhos. Repugnado mandei o cadáver ao chão, assustando uma colónia de insetos que hospedava o crânio vazio. Pedi ajuda ao Lampent para que me retirasse do buraco usando também o seu ataque psíquico… mas nada aconteceu, apenas ouvia o Lillipup a rosnar e o Mr. Mime a rir às gargalhadas, enquanto quilos de terra choviam e me enterravam vivo…

1 Ataque telecinético usado para por exemplo levitar ou deformar objetos, pessoas ou pokemon.
2 Capacidade utilizada por pokemon para se autorregenerarem

3 Capacidade utilizada para imitar ataques de outros pokemon.

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